Catarata: O que é, Sintomas de Alerta e Como Prevenir.

Paciente em consulta oftalmológica com Dr. Vitor Torturella no Rio de Janeiro


Com o passar dos anos, é natural que o nosso corpo manifeste sinais do tempo. Na oftalmologia, o sinal mais comum e impactante é a Catarata. Muitas vezes descrita pelos pacientes como “enxergar através de um vidro embaçado”, essa condição é uma parte esperada do envelhecimento, mas que hoje pode ser resolvida com uma precisão cirúrgica extraordinária.

O que é, afinal, a Catarata?

Dentro do nosso olho, existe uma lente natural chamada Cristalino. Sua função é focar as imagens com nitidez. Imagine-o como o vidro transparente de uma janela. Com o tempo, as proteínas que compõem essa lente começam a se degenerar e a se agrupar, tornando o cristalino opaco.

Essa “nuvem” que se forma impede que a luz chegue à retina de forma clara. Isso é a catarata: a perda da transparência da sua lente natural.

Sinais de Alerta: Como o seu olho avisa?

A catarata não costuma causar dor ou vermelhidão, o que a torna silenciosa. Fique atento a estes sintomas:

  • Visão Nublada ou “Nevada”: A sensação persistente de que os óculos estão sujos.
  • Dificuldade com as Cores: O mundo parece perder o brilho; as cores ficam amareladas ou desbotadas.
  • Ofuscamento e Halos: Luzes de carros ou postes parecem “espalhadas”, dificultando muito a direção noturna.
  • Mudanças Frequentes de Grau: Se o seu grau de óculos está mudando muito rápido em um curto espaço de tempo, o problema pode estar no cristalino.

Fatores de Risco: Por que acontece?

Embora o envelhecimento seja a causa principal (catarata senil), outros fatores podem acelerar o processo:

  • Diabetes: O excesso de açúcar no sangue altera a saúde do cristalino.
  • Exposição Solar: Raios UV sem proteção aceleram a opacificação.
  • Tabagismo e Uso de Corticoides: Hábitos e certos medicamentos são vilões da transparência ocular.

É possível prevenir?

Embora não possamos parar o tempo, podemos retardar a evolução da catarata com hábitos de estilo de vida protetor:

  • Proteção UV: Use óculos de sol com filtros de qualidade (UVA e UVB) sempre que estiver ao ar livre.
  • Alimentação Antioxidante: Vitaminas C, E e o consumo de vegetais verde-escuros ajudam a proteger as proteínas do olho.
  • Controle Metabólico: Manter a glicemia sob controle é vital para pacientes diabéticos.

O Caminho para a Recuperação

É importante ser honesto: não existem colírios ou exercícios que curem a catarata. Uma vez que o cristalino ficou opaco, o único tratamento definitivo é a cirurgia.

A boa notícia? A cirurgia de catarata moderna é um dos procedimentos mais seguros e tecnológicos da medicina. Substituímos o cristalino opaco por uma Lente Intraocular (LIO) de alta tecnologia. O resultado é, muitas vezes, uma visão melhor do que a que o paciente tinha anos antes de ter a doença.

Tipos de Catarata: Nem Toda Catarata é Igual

Embora popularmente falemos em “catarata” como uma condição única, existem diferentes tipos, cada um com características próprias:

Catarata Nuclear

É a mais comum. Forma-se no centro do cristalino (núcleo) e progride lentamente. No início, pode até causar uma melhora temporária na visão de perto — o chamado “second sight” — mas isso é passageiro. Com o avanço, o núcleo fica amarelado e depois acastanhado, prejudicando a percepção de cores e a nitidez.

Catarata Cortical

Começa nas bordas externas do cristalino (córtex) e avança para o centro como raios de uma roda. É mais comum em pacientes diabéticos. Causa ofuscamento intenso em ambientes iluminados e dificuldade para enxergar com luz de frente.

Catarata Subcapsular Posterior

Forma-se na parte de trás do cristalino, próxima à cápsula posterior. Progride mais rapidamente que os outros tipos e afeta especialmente a visão de perto e a leitura. É o tipo mais associado ao uso prolongado de corticoides e à diabetes.

Catarata Congênita

Presente desde o nascimento ou nos primeiros meses de vida. Pode ser causada por infecções maternas durante a gestação (rubéola, toxoplasmose) ou fatores genéticos. O diagnóstico precoce é crucial para evitar ambliopia (olho preguiçoso).

Quando é Hora de Operar? Os Critérios Médicos

Uma dúvida frequente é: “Preciso esperar a catarata amadurecer para operar?”. A resposta é não. Esse conceito é antigo e está ultrapassado.

A indicação cirúrgica atual é baseada no impacto funcional: quando a catarata começa a atrapalhar suas atividades diárias — dirigir, ler, trabalhar, assistir televisão — é hora de considerar a cirurgia. Não existe um grau mínimo obrigatório.

Na consulta de avaliação, realizamos exames específicos como:

  • Biometria Óptica: Mede o comprimento do olho e calcula o grau da lente intraocular ideal.
  • Topografia Corneana: Mapeia a superfície da córnea para detectar astigmatismo.
  • Microscopia Especular: Avalia a saúde das células da córnea.
  • Mapeamento de Retina: Verifica se há outras condições que possam afetar o resultado visual.

Como é a Cirurgia de Catarata Moderna

A técnica padrão-ouro é a facoemulsificação. O procedimento é rápido (15 a 20 minutos por olho), seguro e realizado com anestesia local (colírio anestésico — sem injeções).

O passo a passo simplificado:

  1. Uma microincisão de apenas 2,2mm é feita na córnea.
  2. Uma sonda de ultrassom fragmenta e aspira o cristalino opaco.
  3. Uma lente intraocular dobrável é inserida pela mesma microincisão.
  4. A incisão é autosselante — não precisa de pontos na maioria dos casos.

O paciente vai para casa no mesmo dia e geralmente percebe melhora visual já nas primeiras 24 a 48 horas.

Lentes Intraoculares: Qual Escolher?

Um dos aspectos mais importantes da cirurgia de catarata moderna é a escolha da lente intraocular (LIO). Existem várias opções:

  • Monofocal: Corrige a visão para uma distância (geralmente longe). O paciente ainda precisa de óculos para leitura. Coberta por convênios.
  • Multifocal: Permite enxergar longe, intermediário e perto, reduzindo a dependência de óculos. Lentes premium como PanOptix e Vivity oferecem resultados excelentes.
  • Tórica: Corrige o astigmatismo além da catarata. Pode ser monofocal ou multifocal.
  • EDOF (Extended Depth of Focus): Como a Vivity, oferece foco estendido com menos halos noturnos que multifocais tradicionais.

A escolha da lente ideal depende do estilo de vida do paciente, da saúde ocular e das expectativas visuais. Essa decisão é tomada junto com o oftalmologista, após exames detalhados.

Recuperação e Cuidados Pós-Operatórios

A recuperação da cirurgia de catarata é considerada uma das mais tranquilas da medicina:

  • Dia 1: Consulta de revisão. A maioria já nota melhora significativa.
  • Semana 1: Uso de colírios antibióticos e anti-inflamatórios conforme prescrição. Evitar esforço físico intenso e coçar os olhos.
  • Mês 1: Visão estabiliza progressivamente. Liberação gradual para atividades normais.
  • Após 30 dias: Nova prescrição de óculos, se necessário (especialmente com lentes monofocais).

Complicações são raras — a taxa de sucesso da cirurgia de catarata é superior a 98%.

Perguntas Frequentes sobre Catarata

A cirurgia de catarata dói?

Não. O procedimento é realizado com anestesia tópica (colírio anestésico). O paciente não sente dor durante a cirurgia, apenas uma leve pressão. No pós-operatório, pode haver um leve desconforto que é controlado com colírios.

Catarata pode voltar depois da cirurgia?

A catarata em si não volta, pois o cristalino opaco é removido permanentemente. Porém, em cerca de 20% dos casos, a cápsula que sustenta a lente pode ficar opaca meses ou anos depois — é a chamada “catarata secundária” ou opacificação capsular posterior. O tratamento é simples: um laser (capsulotomia YAG) resolve em poucos minutos, sem necessidade de nova cirurgia.

Posso operar os dois olhos no mesmo dia?

Embora seja tecnicamente possível, a maioria dos oftalmologistas prefere operar um olho por vez, com intervalo de 1 a 4 semanas entre os procedimentos. Isso permite avaliar o resultado do primeiro olho e ajustar a estratégia para o segundo, se necessário.

A cirurgia de catarata é coberta pelo convênio?

Sim. A cirurgia de catarata com lente monofocal é coberta por todos os planos de saúde regulamentados pela ANS. Lentes premium (multifocais, tóricas) podem ter cobertura parcial — o convênio cobre o procedimento e a lente básica, e o paciente paga a diferença pela lente escolhida.

Qual a idade ideal para operar catarata?

Não existe uma idade mínima ou máxima. A indicação é baseada no impacto funcional. Pacientes de 50 anos com catarata que atrapalha o dia a dia devem operar, assim como pacientes de 90 anos com boa saúde geral. A cirurgia é segura em todas as faixas etárias.

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Escrito pelo . 44 páginas, linguagem acessível, baseado em evidências científicas.


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Dr. Vitor Torturella — Oftalmologista Rio de Janeiro

Dr. Vitor Torturella

Oftalmologista · Cirurgião Plástico Ocular

CRM-RJ 901849 • RQE Nº 31033 • RQE Nº 78199

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