Peeling Químico Facial: Tipos, Indicações e Resultados
O peeling químico facial é um procedimento dermatológico que aplica substâncias ácidas controladas sobre a pele para promover a renovação celular. Dependendo da profundidade de ação, trata desde manchas leves e textura irregular até rugas profundas e cicatrizes. É um dos tratamentos com melhor custo-benefício para rejuvenescimento cutâneo, com décadas de evidência científica.
Como o Peeling Funciona
O ácido aplicado provoca uma descamação controlada — uma “esfoliação química” que remove camadas superficiais danificadas. O organismo responde produzindo pele nova, com mais colágeno, textura mais uniforme e menos manchas.
A profundidade do peeling determina a intensidade do resultado e o tempo de recuperação.
Tipos de Peeling por Profundidade
Peeling Superficial
Ácidos utilizados: glicólico (20-50%), mandélico, salicílico, láctico.
Profundidade: atinge apenas a epiderme (camada mais externa).
Indicações:
– Manchas leves (sardas, melanose solar)
– Pele opaca, sem brilho
– Poros dilatados
– Acne ativa (salicílico)
– Manutenção pós-procedimentos mais intensos
Recuperação: descamação leve por 2-3 dias. Não impede atividades sociais.
Sessões: 3-6 sessões, com intervalos de 2-4 semanas.
Resultado: melhora gradual de luminosidade, textura e manchas leves. Resultado cumulativo.
Peeling Médio
Ácidos utilizados: TCA 15-35% (ácido tricloroacético), solução de Jessner + TCA.
Profundidade: atinge a derme papilar (camada intermediária).
Indicações:
– Manchas moderadas e melasma superficial
– Rugas finas a moderadas
– Cicatrizes superficiais de acne
– Ceratose actínica (lesões pré-malignas)
– Textura irregular significativa
Recuperação: descamação mais intensa por 5-7 dias. Pele vermelha que evolui para rosada. Retorno social em 7-10 dias.
Sessões: 1-3 sessões, com intervalos de 2-3 meses.
Resultado: melhora significativa de manchas, textura e rugas finas. Resultado mais evidente que o superficial.
Peeling Profundo
Ácido utilizado: fenol (Baker-Gordon ou modificações).
Profundidade: atinge a derme reticular (camada profunda).
Indicações:
– Rugas profundas
– Fotoenvelhecimento avançado
– Cicatrizes profundas
– Lesões actínicas extensas
Recuperação: 10-14 dias de recuperação intensa (pele crua, formação de crosta, reepitelização). Eritema (vermelhidão) pode persistir por semanas a meses. Retorno social em 2-3 semanas.
Sessões: sessão única (o fenol é potente e a repetição requer intervalo longo).
Resultado: o rejuvenescimento mais dramático entre os peelings. Remove rugas profundas e transforma a textura da pele. Porém, exige cuidados rigorosos e experiência do profissional.
Comparação entre Profundidades
| Aspecto | Superficial | Médio | Profundo |
|---|---|---|---|
| Dor durante | Mínima (ardor leve) | Moderada (anestesia tópica) | Significativa (sedação) |
| Recuperação | 2-3 dias | 5-10 dias | 14-21 dias |
| Manchas | Leves | Moderadas | Severas |
| Rugas | Finas | Finas-moderadas | Profundas |
| Sessões | 3-6 | 1-3 | 1 |
| Risco hiperpigmentação | Baixo | Moderado | Alto (peles escuras) |
| Local | Consultório | Consultório | Centro cirúrgico |
Indicações Específicas
Para Manchas e Melasma
O tratamento de manchas e melasma com peeling é uma das indicações mais frequentes. Peelings superficiais seriados com ácido glicólico ou mandélico, combinados com despigmentantes tópicos, oferecem resultados consistentes com baixo risco.
Para melasma, cautela é essencial: peelings médios ou profundos podem piorar o quadro em peles escuras (fototipos IV-VI).
Para Cicatrizes de Acne
Cicatrizes superficiais respondem bem ao peeling médio com TCA (técnica CROSS — aplicação pontual de TCA concentrado nas cicatrizes). Cicatrizes profundas podem necessitar de combinação com laser ou subcisão.
Para Rugas e Fotoenvelhecimento
Rugas finas periorais e perioculares respondem bem ao peeling médio. Rugas profundas podem necessitar de peeling de fenol ou abordagem combinada com laser e procedimentos cirúrgicos.
Contraindicações
- Infecção ativa na face (herpes, acne inflamatória intensa)
- Uso de isotretinoína nos últimos 6-12 meses (pele com cicatrização alterada)
- Cicatrização patológica (queloide)
- Gravidez e amamentação
- Peles escuras (fototipos V-VI) para peelings médios e profundos (risco elevado de hiperpigmentação pós-inflamatória)
- Expectativas irreais
Cuidados Pré e Pós-peeling
Antes do Peeling
- Preparação com ácidos tópicos (retinóico, glicólico) por 2-4 semanas antes de peelings médios/profundos
- Suspensão de depilação facial (cera) por 1 semana
- Protetor solar rigoroso nas semanas que antecedem
- Profilaxia antiviral (aciclovir/valaciclovir) para peelings médios/profundos em pacientes com histórico de herpes
Após o Peeling
- Protetor solar FPS 50+ reaplicado a cada 2h (essencial para evitar hiperpigmentação)
- Hidratação intensiva (reparadores de barreira)
- Não arrancar a pele descamando (deixar descamar naturalmente)
- Evitar sol direto por 30 dias mínimo
- Não usar ácidos ou maquiagem irritante até liberação médica
Perguntas Frequentes (FAQ)
O peeling químico dói?
O peeling superficial causa apenas ardor leve durante a aplicação. O peeling médio provoca desconforto moderado (sensação de queimação) controlado com anestesia tópica. O peeling profundo requer sedação ou anestesia.
Quantas sessões de peeling são necessárias?
Depende da profundidade e do objetivo. Peelings superficiais: 3-6 sessões. Médios: 1-3 sessões. Profundo: sessão única. O protocolo é individualizado conforme a resposta de cada pele.
O peeling clareia melasma?
O peeling superficial seriado é parte do tratamento do melasma, atuando em conjunto com despigmentantes tópicos e fotoproteção. Porém, o melasma é uma condição crônica — o peeling melhora, mas não cura. A manutenção é necessária.
Posso fazer peeling no verão?
Peelings superficiais podem ser realizados com cautela no verão, desde que a fotoproteção seja rigorosa. Peelings médios e profundos são preferencialmente realizados em meses de menor incidência solar (outono/inverno).
O peeling deixa a pele mais fina?
Não. O peeling estimula a renovação celular e a produção de colágeno, resultando em pele mais espessa e resistente a longo prazo. A descamação pós-peeling é temporária e reflete a remoção de células danificadas.
Dra. Danyelle Hott Torturella — CRM-RJ 0107096.7 | RQE 39427
Cirurgiã Plástica | Professora de Cirurgia Plástica — UERJ
Referências:
1. Fischer TC, Perosino E, Poli F, et al. Chemical peels in aesthetic dermatology: an update 2009. J Eur Acad Dermatol Venereol. 2010;24(3):281-292.
2. Soleymani T, Lanoue J, Rahman Z. A practical approach to chemical peels. J Clin Aesthet Dermatol. 2018;11(8):21-28.
3. Landau M. Chemical peels. Clin Dermatol. 2008;26(2):200-208.
CRM-RJ 0107096.7 | RQE 39427
Cirurgiã Plástica | Professora de Cirurgia Plástica UERJ
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Escrito pelo Dr. Vitor Torturella (CRM-RJ 901849).




