Os sintomas de catarata surgem de forma gradual — e é justamente por isso que muitas pessoas demoram a perceber que algo mudou na visão. A catarata é a opacificação do cristalino, a lente natural do olho, e afeta principalmente pessoas acima dos 60 anos. Reconhecer os sinais precocemente permite planejar o tratamento no momento certo, antes que a perda visual comprometa atividades essenciais como leitura e direção.
Dr. Vitor Torturella — Especialista em Catarata e Cirurgia Ocular | CRM-RJ 901849 | RQE 31033
Os 7 sinais mais comuns de catarata
A catarata se manifesta de forma diferente em cada pessoa, mas alguns sinais são recorrentes. Segundo Kanski (Clinical Ophthalmology, 9ª ed.), os sintomas clássicos incluem:
- Visão embaçada que não melhora com óculos — o sintoma mais relatado. O paciente troca de grau, mas a clareza não volta.
- Halos e ofuscamento ao redor de luzes — especialmente à noite. Faróis de carros parecem “estourar” e criar anéis de luz.
- Cores desbotadas ou amareladas — o cristalino opaco funciona como um filtro amarelo. Muitos pacientes só percebem depois da cirurgia, quando voltam a ver cores vibrantes.
- Necessidade de luz cada vez mais forte para ler — a catarata reduz a quantidade de luz que chega à retina.
- Visão dupla em um olho (diplopia monocular) — diferente do estrabismo, acontece com um único olho aberto.
- Mudança frequente do grau dos óculos — a catarata altera o índice refrativo do cristalino, causando miopia temporária (“segunda visão”).
- Dificuldade de enxergar com clareza em ambientes com muita luz — a catarata cortical dispersa a luz, piorando a visão em dias ensolarados.
Quando procurar o oftalmologista?
O ideal é realizar um check-up oftalmológico anual a partir dos 40 anos. Se você percebeu dois ou mais dos sinais descritos acima, agende uma consulta antes da revisão anual. O exame de biomicroscopia (lâmpada de fenda) permite ao oftalmologista identificar a catarata ainda em estágio inicial — quando ainda não compromete significativamente a visão.
A presença de catarata não significa cirurgia imediata. Em estágios iniciais, pode ser possível melhorar a visão apenas com ajuste de óculos. A indicação cirúrgica depende do impacto funcional: quando a catarata passa a atrapalhar o dia a dia, é hora de considerar a operação.
Fatores de risco para desenvolver catarata
Alguns fatores aumentam a probabilidade ou aceleram o surgimento da catarata (Yanoff & Duker, Ophthalmology, 5ª ed.):
- Idade — principal fator. A maioria das pessoas acima de 70 anos apresenta algum grau de opacificação do cristalino.
- Diabetes — a hiperglicemia crônica acelera a formação de catarata.
- Uso prolongado de corticoides — especialmente colírios com corticoides sem acompanhamento médico.
- Exposição solar excessiva sem proteção — raios UV danificam as proteínas do cristalino.
- Tabagismo — fumantes têm risco 2 a 3 vezes maior de desenvolver catarata.
- Trauma ocular prévio — pancadas no olho podem causar catarata traumática.
- Histórico familiar — há componente genético na catarata congênita e em alguns tipos de catarata precoce.
Como é feito o diagnóstico?
O diagnóstico da catarata é clínico e envolve exames simples realizados no consultório:
- Acuidade visual — teste com a tabela de Snellen para medir a visão.
- Biomicroscopia — exame com lâmpada de fenda que permite visualizar a opacidade do cristalino em detalhes.
- Fundoscopia — avaliação da retina para descartar outras causas de perda visual.
- Biometria ocular — medida do comprimento do olho e curvatura da córnea, necessária para calcular a lente intraocular caso a cirurgia seja indicada.
Todo o processo diagnóstico é indolor e dura cerca de 30 a 40 minutos com as pupilas dilatadas.
Catarata tem tratamento sem cirurgia?
Atualmente, o único tratamento definitivo para a catarata é a cirurgia de catarata. Não existem colírios, medicamentos ou exercícios que revertam a opacificação do cristalino. Pesquisas com colírios à base de lanosterol e oxysterol estão em fase experimental, mas ainda não há evidência suficiente para uso clínico (literatura revisada até 2026).
Em estágios iniciais, óculos com lentes anti-reflexo e boa iluminação podem amenizar os sintomas. Mas quando a catarata progride ao ponto de impactar a qualidade de vida, a cirurgia é o caminho.
Perguntas frequentes sobre sinais de catarata
Catarata causa dor nos olhos?
Não. A catarata é indolor. Se você sente dor nos olhos associada a perda de visão, pode haver outra condição envolvida — como glaucoma ou uveíte. Procure avaliação oftalmológica.
Jovens podem ter catarata?
Sim. Embora rara, a catarata pode surgir em qualquer idade. Causas incluem trauma ocular, uso de corticoides, doenças metabólicas (como diabetes tipo 1) e catarata congênita. A avaliação e conduta são semelhantes à catarata senil.
Catarata pode causar cegueira?
Se não tratada, a catarata pode progredir ao ponto de causar cegueira funcional — ou seja, a pessoa enxerga apenas vultos ou claridade. A boa notícia é que, diferentemente de doenças como o glaucoma, a cegueira por catarata é reversível com a cirurgia.
Qual a diferença entre catarata e glaucoma?
São doenças completamente diferentes. A catarata é a opacificação do cristalino — tratável e reversível com cirurgia. O glaucoma é a lesão progressiva do nervo óptico, geralmente por pressão intraocular elevada — irreversível, mas controlável com tratamento. As duas podem coexistir no mesmo paciente.
Como prevenir a catarata?
Não é possível prevenir completamente a catarata senil, mas é possível retardar sua progressão: use óculos de sol com proteção UV, controle a glicemia se tiver diabetes, evite o tabagismo e faça acompanhamento oftalmológico regular.
Conteúdo revisado pelo Dr. Vitor Torturella — Oftalmologista, CRM-RJ 901849. Especialista em catarata e cirurgia refrativa. Membro da Sociedade Brasileira de Oftalmologia (SBO). Última atualização: fevereiro de 2026.
Referências: Kanski, Clinical Ophthalmology, 9ª ed.; Yanoff & Duker, Ophthalmology, 5ª ed.; Sociedade Brasileira de Oftalmologia; OMS — dados globais de catarata.
Este conteúdo é de caráter informativo e educativo. Não substitui avaliação, diagnóstico ou tratamento médico individualizado. Consulte sempre um oftalmologista para orientações específicas ao seu caso.
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Guia Completo: Cirurgia de Catarata — O Que Você Precisa Saber
Escrito pelo
Dr. Vitor Torturella, Oftalmologista | CRM-RJ 901849
. 44 páginas, linguagem acessível, baseado em evidências científicas.




