Cirurgia de pterígio no RJ: preço, recuperação e quando operar

Consulta de avaliação em plástica ocular — Dr. Vitor Torturella, São João de Meriti
Publicado em · Atualizado em · Revisado por Dr. Vitor Torturella

Introdução

O pterígio é um crescimento fibrovascular da conjuntiva que avança em direção à córnea — popularmente conhecido como “carne crescida no olho”. A cirurgia de pterígio no RJ é um procedimento eletivo na maior parte dos casos, mas pode ser indicada como prioridade quando há ameaça ao eixo visual ou astigmatismo induzido importante.

Como cirurgião com formação em córnea e plástica ocular, opero pterígios desde o início da prática. Neste texto, explico o que é o pterígio, em que momento operar faz sentido, qual técnica usamos para reduzir a taxa de recidiva, e como é a recuperação no dia a dia do paciente.

O que é o pterígio e por que ele aparece

O pterígio é uma proliferação de tecido conjuntival sobre a córnea, geralmente partindo do canto nasal do olho. A literatura clínica de referência (Kanski, 9ª edição) associa o pterígio à exposição crônica a três fatores: radiação ultravioleta, vento e poeira. Por isso, é mais comum em pessoas que vivem ou trabalham ao ar livre em regiões tropicais.

O Rio de Janeiro reúne todos esses fatores: sol intenso o ano inteiro, brisa marítima carregada de partículas e ambientes urbanos com poeira. Por isso, é uma condição que vejo com frequência em pacientes da Baixada, da Zona Oeste e do litoral.

Sintomas: do desconforto à perda de visão

Os sintomas variam de acordo com o tamanho e a atividade do pterígio:

  • Pterígio pequeno e inativo: pode dar apenas sensação de corpo estranho, ressecamento e vermelhidão intermitente.
  • Pterígio moderado: irritação frequente, lacrimejamento, fotofobia e mudança da curvatura corneana com astigmatismo induzido.
  • Pterígio avançado: invade o eixo visual, podendo causar baixa de acuidade que não corrige com óculos.

A queixa estética também é frequente. Mesmo pterígios pequenos podem incomodar pela aparência avermelhada e pelo aspecto carnoso, sobretudo no canto interno do olho.

Quando operar — critérios objetivos

A cirurgia é considerada quando há um dos cenários abaixo:

  • Avanço progressivo em direção ao eixo visual (medido em milímetros sobre a córnea).
  • Astigmatismo induzido que compromete a refração e a visão corrigida.
  • Inflamação recorrente que não responde a colírios lubrificantes e anti-inflamatórios.
  • Queixa estética importante em paciente bem orientado sobre riscos e taxa de recidiva.

Não há indicação cirúrgica para pterígio assintomático e estável. Nesses casos, recomenda-se proteção contra UV (óculos de sol com filtro), lubrificação ocular e seguimento periódico.

Sobre o óculos escuro: o que decide a proteção é o filtro ultravioleta declarado e o quanto a armação cobre a lateral do olho — a cor da lente informa menos do que parece. O critério está reunido em que óculos escuro usar depois da cirurgia.

Técnica usada: exérese com transplante autólogo de conjuntiva

A técnica que utilizo de rotina é a exérese do pterígio com transplante autólogo de conjuntiva, descrita há mais de duas décadas como o padrão de menor recidiva em comparação com a técnica antiga de “bare sclera” (esclera nua).

Em linhas gerais, o procedimento envolve:

  1. Remoção completa do tecido do pterígio.
  2. Retirada de um pequeno enxerto da própria conjuntiva do paciente.
  3. Posicionamento do enxerto sobre a área operada, com fixação por sutura ou cola biológica.

É um procedimento ambulatorial, realizado com anestesia local. O tempo cirúrgico médio é de 30 a 45 minutos. O paciente vai para casa no mesmo dia.

Recuperação e cuidados pós-operatórios

O período pós-operatório imediato é o mais sensível. Espera-se:

  • Primeiros 3 dias: desconforto significativo, lacrimejamento, sensação de areia. Curativo oclusivo na noite após a cirurgia.
  • Semana 1: vermelhidão importante, redução progressiva do desconforto. Uso obrigatório de colírios antibióticos e anti-inflamatórios conforme prescrição.
  • Semanas 2 a 4: redução da vermelhidão, retomada gradual de atividades cotidianas. Atividade física intensa só liberada após reavaliação.
  • Mês 1 em diante: avaliações de seguimento para monitorar cicatrização e descartar recidiva.

A retomada do trabalho depende da atividade — quem faz trabalho de escritório geralmente retorna em 1 semana; quem trabalha exposto a sol, vento ou poeira precisa de afastamento maior.

Recidiva: o ponto mais importante na conversa com o paciente

Mesmo com técnica adequada, o pterígio pode voltar. A taxa de recidiva histórica com transplante de conjuntiva varia, na literatura, entre 2% e 15%, dependendo de fatores como idade do paciente, ambiente de exposição, tamanho e atividade do pterígio original.

Para reduzir a chance de recidiva, oriento três medidas que dependem do próprio paciente:

  • Uso permanente de óculos de sol com filtro UV durante exposição solar.
  • Lubrificação ocular nos primeiros meses pós-operatórios.
  • Seguimento periódico para identificar recidiva precocemente.

Pacientes mais jovens e com pterígios grandes ou recidivantes têm maior risco. Nessas situações, podem ser consideradas técnicas adjuvantes, sempre discutidas individualmente.

Custo da cirurgia no Rio de Janeiro

A cirurgia de pterígio é coberta pela maioria dos convênios médicos, desde que haja indicação clínica formal. No atendimento particular, o orçamento considera honorários médicos, taxa de centro cirúrgico, anestesia, materiais (cola biológica, suturas) e acompanhamento pós-operatório.

As regras dos convênios podem mudar a qualquer momento, sem aviso prévio.

Em geral, o valor particular varia conforme a complexidade do caso (pterígio primário, recidivado, bilateral). Orçamentos personalizados são fornecidos após avaliação presencial.

Perguntas frequentes

A cirurgia de pterígio dói?

O ato cirúrgico é feito com anestesia local — o paciente não sente dor durante a operação. Nos primeiros 2-3 dias após a cirurgia, é normal sentir desconforto, controlado com analgésicos comuns e colírios prescritos.

O pterígio pode voltar?

Sim, mesmo com técnica adequada existe risco de recidiva. A taxa varia na literatura entre 2% e 15% com transplante autólogo de conjuntiva.

Em quanto tempo eu volto a enxergar bem?

A visão estabiliza em 4 a 6 semanas. No início, é comum vermelhidão, lacrimejamento e visão embaçada — sintomas que regridem progressivamente.

Vou precisar usar óculos escuros para sempre depois da cirurgia?

Recomendo uso permanente em exposição solar para reduzir o risco de recidiva e proteger a córnea operada. É uma medida de proteção razoável que vale para qualquer pessoa exposta a sol forte.

Convênio cobre a cirurgia?

Sim, na maioria dos convênios, quando há indicação clínica formal documentada. A recepção confirma cobertura específica do plano e materiais antes da cirurgia.

Como agendar uma avaliação

Se você gostaria de agendar uma avaliação na Clínica Hott Torturella, preencha o formulário em nossa página de contato ou ligue para a recepção. Nossa equipe verifica disponibilidade de horário e, quando aplicável, cobertura do convênio antes de confirmar a consulta. A indicação de qualquer procedimento depende de avaliação presencial.

Dr. Vitor Torturella — Oftalmologista Rio de Janeiro

Dr. Vitor Torturella

Oftalmologista

CRM-RJ 901849 • RQE nº 31033

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