Cirurgia de Retina: Preço, Técnicas e Especialista no RJ

Oftalmoscopia indireta para avaliação de retina — Dr. Vitor Torturella RJ

A cirurgia de retina é o procedimento indicado para tratar condições graves como descolamento de retina, buraco macular, membrana epirretiniana e retinopatia diabética proliferativa, entre outras. As técnicas mais utilizadas incluem a vitrectomia via pars plana (VPP), a retinopexia pneumática e o introflexão escleral, sendo a escolha determinada pela condição clínica de cada paciente. No Rio de Janeiro, o procedimento é realizado por especialistas em retina em clínicas e hospitais credenciados, com valores variáveis conforme a técnica, o nível de complexidade e a cobertura do plano de saúde.

O que é a cirurgia de retina e quando ela é indicada?

A retina é a camada neurossensorial que reveste internamente o fundo do olho, responsável por captar a luz e transformá-la em sinais elétricos conduzidos ao cérebro. Qualquer alteração estrutural nessa camada pode comprometer seriamente a função visual — e, em determinados casos, apenas a intervenção cirúrgica é capaz de estabilizar ou restaurar a anatomia ocular.

De acordo com o Kanski’s Clinical Ophthalmology (9ª ed., Bowling, 2016), as principais indicações cirúrgicas envolvendo a retina incluem: descolamento de retina regmatogênico (causado por rasgo ou buraco), descolamento tracional (frequentemente associado à retinopatia diabética proliferativa), buraco macular de espessura total, membrana epirretiniana sintomática, hemorragia vítrea persistente e endoftalmite. A janela terapêutica é um fator crítico — especialmente no descolamento de retina, onde a demora no diagnóstico e tratamento pode resultar em perda visual irreversível.

Segundo o Yanoff & Duker Ophthalmology (5ª ed., 2019), a decisão sobre o tipo de cirurgia leva em conta a localização e a extensão da lesão, a integridade do vítreo, a presença de proliferação vitreorretiniana (PVR) e o histórico cirúrgico do olho. Por esse motivo, a avaliação individualizada por um especialista em retina é insubstituível.

Principais técnicas na cirurgia de retina: vitrectomia, retinopexia e introflexão escleral

Existem três abordagens cirúrgicas principais utilizadas no tratamento das doenças da retina. Cada uma possui indicações precisas, vantagens e limitações que o especialista avaliará antes de recomendar a melhor conduta.

Vitrectomia via pars plana (VPP)

A vitrectomia é atualmente a técnica mais versátil e amplamente empregada na cirurgia de retina. Por meio de micro-incisões de 23G, 25G ou 27G realizadas na região da pars plana (zona avascular da esclera), instrumentos cirúrgicos ultra-finos são introduzidos no interior do olho para remover o vítreo e tratar diretamente a retina. O cirurgião pode realizar laser intracirúrgico, retirar membranas, tamponar o descolamento com gás ou óleo de silicone e reposicionar a retina. Estudos publicados no British Journal of Ophthalmology (PubMed PMID: 32737096) demonstram taxas de reaplicação anatômica superiores a 85% em descolamentos primários tratados com VPP por cirurgiões experientes.

Retinopexia pneumática

A retinopexia pneumática é uma alternativa menos invasiva, indicada para descolamentos de retina com rasgo único, localizado no quadrante superior. O procedimento consiste na injeção de uma bolha de gás expansível (SF6 ou C3F8) na cavidade vítrea, associada à crioterapia ou laser para selar o rasgo. O paciente precisa manter posicionamento cefálico específico no pós-operatório para que a bolha pressione o rasgo contra a parede ocular. Embora menos traumática, apresenta taxas de sucesso primário inferiores às da VPP em casos mais complexos.

Introflexão (cerclagem) escleral

A introflexão escleral, também conhecida como cirurgia extracorneal ou scleral buckle, é uma técnica externas que consiste em fixar uma faixa ou esponja de silicone na parede do olho para criar um “afundamento” que alivia a tração vitreorretiniana e permite a reaplicação da retina. É especialmente indicada em pacientes jovens, fácicos (com cristalino natural), com rasgo periférico e sem proliferação vitreorretiniana significativa. Conforme descrito no Kanski’s Clinical Ophthalmology, essa técnica continua sendo referência em muitos centros de excelência ao redor do mundo por preservar a integridade do vítreo.

Como é o preparo pré-operatório e o pós-operatório da cirurgia de retina?

O preparo pré-operatório inclui exames de imagem como a tomografia de coerência óptica (OCT) e o ultrassom ocular tipo B, exames laboratoriais de rotina, avaliação anestésica e, quando necessário, suspensão de anticoagulantes conforme orientação médica. A maioria das cirurgias de retina é realizada sob anestesia local com sedação, em regime ambulatorial — o paciente recebe alta no mesmo dia.

No pós-operatório, são prescritos colírios antibióticos, corticosteroides e anti-inflamatórios não esteroidais. Quando é utilizado gás como tamponador, o paciente deve manter posição específica (geralmente de bruços ou cabeça inclinada para baixo) por vários dias. A restrição ao voo de avião é obrigatória enquanto houver gás na cavidade vítrea, pois a variação de pressão pode causar hipertensão ocular grave. Quando se utiliza óleo de silicone, uma segunda cirurgia de retirada é geralmente programada entre 3 e 6 meses após.

Em casos onde o tratamento medicamentoso é complementar, como na retinopatia diabética e na degeneração macular úmida, a injeção intravítrea de antiangiogênicos pode ser indicada antes ou após a cirurgia, de acordo com a avaliação do retinólogo.

Quanto custa a cirurgia de retina no Rio de Janeiro?

O custo da cirurgia de retina no Rio de Janeiro varia significativamente de acordo com vários fatores: tipo de técnica empregada (vitrectomia, retinopexia pneumática ou introflexão escleral), grau de complexidade do caso, materiais utilizados (gás, óleo de silicone, corantes vitais, agulhas de calibre específico), estrutura do centro cirúrgico e honorários do cirurgião. Valores sujeitos a alteração — consulte disponibilidade.

Para pacientes com plano de saúde, a cobertura da cirurgia de retina é garantida pela Lei nº 9.656/1998 (Lei dos Planos de Saúde), desde que o procedimento esteja incluído no Rol de Procedimentos da ANS — o que inclui vitrectomia, cerclagem escleral e retinopexia. No entanto, a cobertura pode variar conforme o tipo de contrato (enfermaria, apartamento, nacional ou regional) e a rede credenciada disponível. Recomenda-se verificar diretamente com a operadora antes de agendar o procedimento.

Para cirurgias particulares, os valores podem variar amplamente conforme a complexidade. Casos de descolamento de retina com proliferação vitreorretiniana avançada, por exemplo, demandam mais tempo cirúrgico, mais instrumental e maior experiência do cirurgião, o que impacta diretamente no custo total. A orientação é sempre solicitar um orçamento detalhado e transparente antes de qualquer tomada de decisão.

Como escolher um especialista em retina no Rio de Janeiro?

A escolha do especialista é um dos fatores mais determinantes para o sucesso de uma cirurgia de retina. O retinólogo é o oftalmologista com formação específica em doenças vitreorretinianas, habilitado a realizar procedimentos diagnósticos avançados (como OCT de alta resolução, angiofluoresceinografia, ultrassonografia ocular) e intervenções cirúrgicas complexas.

Ao buscar um especialista em retina no RJ, considere os seguintes critérios baseados em evidências e nas diretrizes do Conselho Federal de Medicina (CFM) e da Sociedade Brasileira de Oftalmologia (SBO):

  • Registro no CRM-RJ ativo e habilitação em oftalmologia com área de atuação em retina e vítreo;
  • Formação em centro de referência reconhecido pela SBO ou por sociedades internacionais como a American Academy of Ophthalmology (AAO) ou a European Society of Retina Specialists (EURETINA);
  • Experiência documentada no tipo de procedimento necessário ao seu caso específico;
  • Infraestrutura adequada do centro cirúrgico, com equipamentos de última geração como sistemas de vitrectomia de alta velocidade de corte e visualização panorâmica intraoperatória;
  • Comunicação clara sobre riscos, benefícios e expectativas reais do procedimento, em conformidade com os princípios éticos do CFM (Resolução CFM nº 2.217/2018 — Código de Ética Médica).

Uma consulta presencial com o especialista antes de decidir pela cirurgia é fundamental. Durante essa avaliação, o médico realizará exames completos, discutirá a conduta mais adequada ao seu caso e esclarecerá todas as suas dúvidas com base em evidências científicas atualizadas.

Perguntas Frequentes sobre Cirurgia de Retina

A cirurgia de retina dói?

Na maioria dos casos, a cirurgia de retina é realizada sob anestesia local com sedação, de forma que o paciente não sente dor durante o procedimento. No pós-operatório imediato, pode ocorrer desconforto ocular leve, controlado com analgésicos orais prescritos pelo médico.

Quanto tempo dura a recuperação da cirurgia de retina?

A recuperação varia conforme a técnica e a complexidade do caso. Em geral, a restrição de atividades intensas dura de 2 a 4 semanas. A visão pode continuar melhorando por até 3 a 6 meses. O médico definirá o cronograma de retornos e liberações de forma individualizada.

A cirurgia de retina é coberta pelo plano de saúde?

Sim, os principais procedimentos cirúrgicos de retina — como vitrectomia e cerclagem escleral — estão no Rol de Procedimentos da ANS. A cobertura depende do contrato do plano. Consulte sua operadora com o código TUSS do procedimento indicado pelo seu médico para confirmar a cobertura.

Quais são os riscos da cirurgia de retina?

Como toda cirurgia ocular, a cirurgia de retina apresenta riscos, incluindo: infecção intraocular (endoftalmite), sangramento, catarata acelerada, hipertensão ocular, re-descolamento de retina e perda visual. A taxa de complicações graves é baixa em centros especializados. O especialista discutirá cada risco individualmente.

Posso operar os dois olhos ao mesmo tempo?

Em geral, não se opera os dois olhos simultaneamente em cirurgia de retina, ao contrário do que ocorre na cirurgia de catarata bilateral. O intervalo entre os olhos permite avaliar a resposta cirúrgica do primeiro e minimizar os riscos globais. O especialista definirá o planejamento mais seguro para cada situação.

Preciso ficar internado após a cirurgia de retina?

Na grande maioria dos casos, a cirurgia de retina é ambulatorial — o paciente recebe alta no mesmo dia, sem necessidade de internação. Casos de maior complexidade ou que exijam anestesia geral podem requerer observação por algumas horas. O médico e a equipe de anestesia farão essa avaliação previamente.


Se você apresenta sintomas como flashes de luz, moscas volantes de aparecimento súbito, perda de campo visual ou baixa de visão, não adie a avaliação médica. Essas podem ser manifestações de condições que exigem tratamento urgente, como o descolamento de retina. Da mesma forma, pacientes com diagnóstico confirmado de doença retiniana devem discutir com seu especialista a melhor conduta, incluindo a possibilidade de injeção intravítrea ou abordagem cirúrgica.


Referências científicas:
1. Bowling B. Kanski’s Clinical Ophthalmology: A Systematic Approach. 9ª ed. Elsevier, 2016.
2. Yanoff M, Duker JS. Ophthalmology. 5ª ed. Elsevier, 2019.
3. Mitry D, et al. The epidemiology of rhegmatogenous retinal detachment: geographical variation and clinical associations. British Journal of Ophthalmology. 2010. PubMed PMID: 19515646.
4. Conselho Federal de Medicina. Resolução CFM nº 2.217/2018 — Código de Ética Médica.
5. Sociedade Brasileira de Oftalmologia (SBO). Diretrizes para tratamento cirúrgico das doenças vitreorretinianas. 2022.


Autor: Especialista em Retina | Dr. Vitor Torturella, CRM-RJ 901849 — Instituto Médico Viver, Rio de Janeiro, RJ.

Este conteúdo é informativo e não substitui a avaliação médica presencial. Consulte sempre um médico oftalmologista especializado em retina para diagnóstico e indicação terapêutica adequados ao seu caso.

Dr. Vitor Torturella — Oftalmologista Rio de Janeiro

Dr. Vitor Torturella

Oftalmologista · Cirurgião Plástico Ocular

CRM-RJ 901849 • RQE Nº 31033 • RQE Nº 78199

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