Conjuntivite: Tipos, Tratamento e Quando Ir ao Oftalmologista

Dr. Vitor Torturella em consulta de saúde ocular — São João de Meriti RJ
Publicado em · Atualizado em · Revisado por equipe médica

Acordar com o olho vermelho, lacrimejando e com as pálpebras grudadas é uma das queixas mais frequentes no consultório oftalmológico. Na maioria das vezes, trata-se de conjuntivite — uma condição geralmente benigna, mas que tem causas diferentes e, por isso, tratamentos diferentes. Neste artigo, o Dr. Vitor Torturella explica os tipos de conjuntivite, como cada um é tratado e, principalmente, quais sinais indicam que você deve procurar o oftalmologista sem demora.

O que é Conjuntivite?

Conjuntivite é a inflamação da conjuntiva — a membrana fina e transparente que recobre a parte branca do olho (esclera) e a face interna das pálpebras. Quando a conjuntiva inflama, seus pequenos vasos sanguíneos dilatam, e o olho fica vermelho, lacrimejante, com sensação de areia e, em muitos casos, com secreção.

A conjuntivite pode afetar um ou ambos os olhos e tem causas variadas: vírus, bactérias, alergias e agentes irritantes. Identificar corretamente a causa é o ponto central do tratamento — porque o que ajuda em um tipo pode ser inútil ou até prejudicial em outro.

Os Tipos de Conjuntivite

Conjuntivite Viral (a mais comum)

É a forma mais frequente de conjuntivite infecciosa, causada na maioria dos casos pelo adenovírus. Costuma começar em um olho e atingir o outro em poucos dias. Os sintomas típicos são lacrimejamento abundante, secreção aquosa ou mucosa clara, vermelhidão e sensação de corpo estranho. Pode acompanhar um quadro gripal ou resfriado. É altamente contagiosa e, em geral, autolimitada: melhora espontaneamente em 1 a 2 semanas, podendo se estender um pouco mais em alguns casos.

Conjuntivite Bacteriana

Caracteriza-se por secreção purulenta — amarelada ou esverdeada, mais espessa — que costuma deixar as pálpebras grudadas ao acordar. Também é contagiosa e é proporcionalmente mais comum em crianças. A avaliação oftalmológica define se há indicação de colírio antibiótico e qual é o adequado para o caso.

Conjuntivite Alérgica

Aqui o sintoma central é a coceira intensa. Costuma afetar os dois olhos ao mesmo tempo, com lacrimejamento, inchaço das pálpebras e secreção clara, por vezes em “fios”. É desencadeada por alérgenos como poeira, ácaros, pólen e pelos de animais, e frequentemente acompanha rinite alérgica ou outras condições atópicas. Não é contagiosa e tende a ser recorrente, com períodos de melhora e piora conforme a exposição ao gatilho.

Conjuntivite Tóxica ou Irritativa

Provocada pelo contato com agentes irritantes: fumaça, poluição, cloro de piscina, produtos químicos ou mesmo o uso prolongado e inadequado de colírios. Não é contagiosa e tende a melhorar quando o agente causador é afastado. Atenção: se houve contato com produto químico (como material de limpeza), lave o olho imediatamente com água corrente ou soro fisiológico em abundância e procure atendimento oftalmológico.

Comparativo Rápido entre os Tipos

TipoSecreçãoCoceiraContágioDuração habitual
ViralAquosa ou mucosa clara, lacrimejamento intensoLeve a moderadaSim — alto1 a 2 semanas, às vezes mais
BacterianaPurulenta (amarelada/esverdeada), pálpebras grudadasLeveSimAlguns dias, conforme o tratamento indicado
AlérgicaClara, por vezes em “fios”Intensa — sintoma principalNãoEnquanto durar a exposição; tende a recorrer
Tóxica/irritativaVariável, geralmente aquosa; predomina ardênciaVariávelNãoMelhora ao afastar o agente causador

Transmissão e Prevenção

As conjuntivites viral e bacteriana se transmitem pelo contato com as secreções oculares — principalmente pelas mãos contaminadas e por objetos de uso pessoal compartilhados. Algumas medidas simples reduzem muito o risco de transmissão:

  • Lave as mãos com frequência, especialmente antes e depois de tocar a região dos olhos.
  • Evite coçar ou esfregar os olhos — além de transmitir, agrava a irritação.
  • Não compartilhe toalhas, fronhas, maquiagem ou colírios. Durante a infecção, troque fronhas e toalhas com frequência.
  • Limpe a secreção com gaze ou algodão descartável, sempre de uma única passada, e descarte em seguida.
  • Suspenda as lentes de contato enquanto houver olho vermelho ou secreção.
  • Evite ambientes coletivos (trabalho, escola, piscina) enquanto houver secreção ativa, conforme orientação médica.

Tratamento: Por que Depende do Tipo

Não existe um “colírio para conjuntivite” universal. O tratamento correto depende da causa — e é por isso que a avaliação oftalmológica importa.

Conjuntivite viral

O tratamento é de suporte: compressas frias para aliviar o desconforto, colírios lubrificantes (lágrimas artificiais) e higiene rigorosa. Antibióticos não agem contra vírus. O acompanhamento é importante porque alguns quadros por adenovírus podem evoluir com membranas na conjuntiva ou infiltrados na córnea, que exigem manejo especializado.

Conjuntivite bacteriana

A avaliação médica confirma o diagnóstico e define se há indicação de colírio antibiótico — e qual. Usar antibiótico por conta própria pode atrasar o diagnóstico correto e selecionar bactérias resistentes.

Conjuntivite alérgica

O primeiro passo é identificar e afastar o gatilho sempre que possível (controle de poeira e ácaros, por exemplo). Compressas frias e lubrificantes ajudam no alívio, e colírios antialérgicos podem ser indicados pelo oftalmologista. Em casos associados a rinite ou atopia, o tratamento pode ser conjunto com alergista.

Conjuntivite tóxica ou irritativa

O tratamento é afastar o agente causador e lubrificar o olho. Se a suspeita recair sobre um colírio em uso, ele deve ser reavaliado com o médico — nunca interrompa por conta própria medicações de uso contínuo (como colírios para glaucoma) sem orientação.

Um alerta importante sobre automedicação: colírios com corticoide aliviam rapidamente a vermelhidão, mas seu uso sem avaliação e acompanhamento é perigoso — pode agravar infecções (como as causadas pelo vírus herpes), elevar a pressão intraocular e favorecer o desenvolvimento de catarata. Colírios vasoconstritores (“para clarear o olho”) apenas mascaram o sintoma. Nenhum colírio com corticoide deve ser usado sem prescrição e acompanhamento médico.

Sinais de Alerta: Quando Ir ao Oftalmologista com Urgência

A maioria das conjuntivites evolui bem. Mas olho vermelho nem sempre é conjuntivite — pode ser úlcera de córnea, uveíte, glaucoma agudo e outras condições que ameaçam a visão. Procure avaliação oftalmológica com urgência se houver:

  • 🚨 Dor ocular intensa — dor de verdade, não apenas ardência ou sensação de areia
  • 🚨 Baixa de visão ou visão embaçada que não melhora ao piscar
  • 🚨 Fotofobia importante (grande sensibilidade à luz)
  • 🚨 Secreção purulenta abundante, em grande quantidade e que retorna logo após a limpeza
  • 🚨 Usuário de lente de contato com olho vermelho — risco de úlcera de córnea; suspenda a lente e procure atendimento
  • 🚨 Recém-nascido com olho vermelho ou secreção — a conjuntivite neonatal exige avaliação médica imediata
  • 🚨 Sintomas que pioram progressivamente ou não melhoram no prazo esperado
  • 🚨 Trauma ocular ou contato com produto químico

Perguntas Frequentes sobre Conjuntivite

Conjuntivite passa sozinha?

A conjuntivite viral costuma ser autolimitada e melhorar em 1 a 2 semanas com medidas de suporte. Ainda assim, a avaliação oftalmológica é importante para confirmar o tipo, descartar outras causas de olho vermelho e identificar precocemente complicações — especialmente se os sintomas forem intensos ou não melhorarem.

Posso usar um colírio que já tenho em casa?

Não é recomendado. Colírios sobrando de tratamentos anteriores podem estar contaminados, vencidos ou ser inadequados para a causa atual — e, no caso dos colírios com corticoide, podem agravar infecções e causar aumento da pressão intraocular. Lubrificantes (lágrimas artificiais) são a opção de alívio mais segura até a avaliação médica.

Por quanto tempo a conjuntivite é contagiosa?

Nas formas viral e bacteriana, o risco de transmissão existe enquanto houver lacrimejamento e secreção ativa — na conjuntivite viral, isso pode durar até cerca de duas semanas. O afastamento de trabalho, escola ou creche deve ser orientado pelo médico, conforme a evolução de cada caso. As conjuntivites alérgica e irritativa não são contagiosas.

Uso lentes de contato. Quando posso voltar a usá-las?

Suspenda as lentes imediatamente ao notar olho vermelho ou secreção. Lentes e estojos usados durante a infecção devem ser descartados (no caso de lentes descartáveis) ou higienizados conforme orientação. O retorno ao uso deve acontecer somente após a liberação do oftalmologista, com o olho totalmente recuperado.


Está com os olhos vermelhos, com secreção ou desconforto que não melhora? A avaliação oftalmológica identifica a causa e direciona o tratamento adequado para o seu caso. Agende sua consulta pelo WhatsApp ou Doctoralia.

Dr. Vitor Torturella — Oftalmologista

Este conteúdo tem caráter educativo e informativo. Não substitui a avaliação médica individualizada.

Dr. Vitor Torturella — Oftalmologista Rio de Janeiro

Dr. Vitor Torturella

Oftalmologista · Cirurgião Plástico Ocular

CRM-RJ 901849 • RQE Nº 31033 • RQE Nº 78199

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