A síndrome do olho seco — também chamada de doença da superfície ocular — é uma das queixas mais frequentes nos consultórios oftalmológicos. Ela acontece quando o olho não consegue manter um filme lacrimal estável: ou a lágrima é produzida em quantidade insuficiente, ou ela evapora rápido demais e perde qualidade. O resultado é uma superfície ocular irritada, inflamada e desconfortável ao longo do dia.
É uma condição crônica, mas que, na grande maioria dos casos, pode ser muito bem controlada com o acompanhamento correto. Entender o mecanismo por trás dos sintomas é o primeiro passo para escolher o tratamento certo.
Os dois tipos de olho seco
Do ponto de vista médico, o olho seco costuma ser dividido em dois grandes grupos — e muitos pacientes apresentam uma combinação dos dois:
Sobre o ressecamento dos olhos: além do que o seu médico orientar, o conforto do dia a dia responde a medidas simples — umidade do ar, compressa morna e higiene da pálpebra. O que muda de verdade, e o que costuma ser gasto sem retorno, está reunido em colírio lubrificante e olho seco: o que muda o conforto.
- Olho seco aquoso-deficiente: a glândula lacrimal produz menos lágrima do que o necessário. Está associado ao envelhecimento, ao uso de certos medicamentos e a doenças autoimunes como a síndrome de Sjögren.
- Olho seco evaporativo: é o tipo mais comum. A lágrima até é produzida, mas evapora rápido demais — geralmente por disfunção das glândulas de Meibomius (a chamada blefarite posterior), que são responsáveis pela camada de gordura que protege o filme lacrimal.
O que causa o olho seco?
Vários fatores reduzem a quantidade ou a qualidade da lágrima. Os mais comuns são:
- Uso prolongado de telas — ao fixar o olhar no computador ou celular, piscamos com menos frequência, e o filme lacrimal se rompe entre uma piscada e outra.
- Ambientes secos — ar-condicionado, vento e aquecimento aceleram a evaporação da lágrima.
- Idade — a produção lacrimal tende a diminuir, especialmente após os 50 anos e na pós-menopausa.
- Medicamentos — antidepressivos, anti-histamínicos, diuréticos e anticoncepcionais podem reduzir a lágrima.
- Disfunção das glândulas de Meibomius — principal causa do olho seco evaporativo.
- Doenças autoimunes — síndrome de Sjögren, artrite reumatoide e lúpus.
- Uso de lentes de contato e cirurgias prévias na superfície ocular ou nas pálpebras.
Sintomas: como reconhecer
Os sintomas costumam piorar ao longo do dia e em situações que aumentam a evaporação, como ler por muito tempo ou ficar em ambiente com ar-condicionado. Fique atento a:
- Ardência e sensação de areia ou corpo estranho nos olhos;
- Vermelhidão, coceira e olhos cansados ao final do dia;
- Lacrimejamento excessivo — parece contraditório, mas é um reflexo do olho irritado tentando se proteger;
- Visão embaçada que melhora ao piscar;
- Dificuldade para usar lentes de contato como antes.
Como é feito o diagnóstico
O diagnóstico é clínico, feito pelo oftalmologista a partir da história do paciente e de exames simples e indolores na lâmpada de fenda:
- Teste de Schirmer — uma pequena tira de papel mede a quantidade de lágrima produzida em alguns minutos.
- Tempo de ruptura do filme lacrimal (BUT) — avalia a estabilidade da lágrima; um tempo inferior a cerca de 10 segundos sugere instabilidade.
- Coloração com fluoresceína — corante que revela áreas de sofrimento da córnea e da conjuntiva.
- Meibografia — imagem que avalia a estrutura das glândulas de Meibomius.
Tratamento: uma abordagem por etapas
Não existe uma solução única. O tratamento é escalonado e ajustado à gravidade e à causa do olho seco de cada paciente:
- Lágrimas artificiais (lubrificantes): a base do tratamento. Nos casos moderados a graves, dá-se preferência aos colírios sem conservantes, mais bem tolerados no uso frequente. Pomadas lubrificantes ajudam à noite.
- Higiene palpebral: compressas mornas e massagem das pálpebras desobstruem as glândulas de Meibomius — fundamental no olho seco evaporativo.
- Medidas ambientais e a regra 20-20-20: a cada 20 minutos de tela, olhar a 20 pés (cerca de 6 metros) por 20 segundos; usar umidificador e evitar o fluxo direto do ar-condicionado.
- Ciclosporina tópica: colírio anti-inflamatório que atua na inflamação da superfície ocular, indicado no olho seco moderado a grave.
- Corticoides tópicos: usados por períodos curtos e sob supervisão, para controlar crises de inflamação.
- Plugs lacrimais (oclusão dos pontos lacrimais): pequenos dispositivos que reduzem a drenagem da lágrima, mantendo o olho úmido por mais tempo.
- Luz pulsada intensa (IPL): opção para a disfunção das glândulas de Meibomius.
- Soro autólogo e investigação de doenças sistêmicas (como Sjögren) ficam reservados aos casos mais graves ou resistentes.
Quando procurar um oftalmologista
Procure avaliação se os sintomas forem persistentes, se houver dor, sensibilidade à luz ou queda da visão, ou se os colírios lubrificantes de uso livre não estiverem resolvendo. O olho seco não tratado pode, em casos graves, danificar a córnea — por isso o acompanhamento é importante.
Perguntas frequentes
Olho seco tem cura?
Na maioria dos casos, o olho seco é uma condição crônica que se controla muito bem com tratamento contínuo, em vez de ter uma cura definitiva. O objetivo é eliminar os sintomas e proteger a superfície ocular.
Colírio comprado na farmácia resolve?
Lubrificantes ajudam nos casos leves, mas o tipo ideal varia. No olho seco moderado a grave, o uso de colírios com conservante em excesso pode irritar ainda mais — por isso a orientação do oftalmologista faz diferença.
Olho seco pode atrapalhar a visão?
Sim. Como o filme lacrimal faz parte do sistema óptico do olho, sua instabilidade causa visão embaçada flutuante. Casos graves e não tratados podem lesar a córnea.
Quem trabalha o dia todo no computador é mais propenso?
Sim. O tempo prolongado de tela reduz a frequência de piscadas e favorece o olho seco evaporativo. A regra 20-20-20 e as pausas ajudam na prevenção.
Avaliação na Hott Torturella
Na Hott Torturella, realizamos a avaliação completa da superfície ocular para identificar o tipo e a gravidade do olho seco e montar um plano de tratamento individualizado. O atendimento é conduzido pelo Dr. Vitor Torturella (CRM-RJ 901849 | RQE 31033).
Este conteúdo tem caráter informativo e educativo e não substitui a consulta com o oftalmologista.




