Mastopexia (Lifting de Mama): Correção da Ptose Mamária

Consulta pré-operatória de cirurgia de mama — Dra. Danyelle Hott Torturella, São João de Meriti
Publicado em · Atualizado em · Revisado por equipe médica

Mastopexia (Lifting de Mama): Correção da Ptose Mamária

A mastopexia reposiciona a mama caída (ptose mamária) elevando o complexo areolomamilar (CAM) para uma posição mais alta e removendo o excesso de pele para restaurar a projeção e o formato cônico da mama. É a cirurgia indicada quando o volume mamário é adequado mas a posição está baixa — o mamilo aponta para baixo ou está abaixo do sulco inframamário. Quando há perda de volume associada, a mastopexia pode ser combinada com implante de silicone.

O que É Ptose Mamária

A ptose é a “queda” da mama. O grau é classificado pela posição do mamilo em relação ao sulco inframamário:

Classificação de Regnault

Grau Posição do Mamilo Descrição
Pseudoptose Acima do sulco Polo inferior vazio, mamilo na posição normal
Grau I (leve) No nível do sulco Mamilo na linha do sulco
Grau II (moderada) Abaixo do sulco Mamilo abaixo do sulco mas acima do polo inferior
Grau III (grave) Bem abaixo do sulco Mamilo no ponto mais baixo da mama, aponta para o chão

Causas da Ptose

  • Gestação e amamentação: aumento de volume seguido de involução (esvaziamento). É a causa mais comum
  • Emagrecimento significativo: perda de volume mamário com excesso de pele remanescente
  • Envelhecimento: perda de elasticidade da pele e ligamentos de Cooper
  • Genética: predisposição a tecido menos firme
  • Gravidade: ação contínua ao longo dos anos

Indicações

Mastopexia Isolada (Sem Prótese)

  • Ptose grau I a III com volume mamário satisfatório
  • A paciente deseja elevação mas não aumento
  • Mama “caída” após amamentação com volume ainda adequado

Mastopexia com Prótese

  • Ptose + perda de volume (mama vazia e caída)
  • Desejo de elevação E aumento
  • Mama esvaziada pós-amamentação com ptose associada
  • Assimetria de volume + ptose

Quando a Mastopexia Não É Suficiente

Técnicas Cirúrgicas

Periareolar (Benelli)

  • Cicatriz apenas ao redor da aréola
  • Indicação: pseudoptose ou ptose grau I leve
  • Remove o mínimo de pele
  • Limitação: risco de alargamento da aréola com o tempo, pouca capacidade de elevação

Vertical (Lollipop)

  • Cicatriz periareolar + vertical (do bordo inferior da aréola ao sulco)
  • Indicação: ptose grau I a II
  • Boa capacidade de remodelagem com cicatriz moderada
  • Técnica preferida para ptoses moderadas

T Invertido (Wise / Âncora)

  • Cicatriz periareolar + vertical + horizontal no sulco
  • Indicação: ptose grau II a III
  • Maior controle sobre o envelope cutâneo
  • Cicatriz mais extensa, compensada pela capacidade de correção

Escolha da Técnica

A extensão da cicatriz é proporcional ao grau de ptose. Não é possível corrigir ptose grau III com técnica periareolar — forçar cicatrizes menores compromete o resultado. A cirurgiã determina a técnica pela avaliação presencial.

Mastopexia com Prótese: Detalhes

A associação de mastopexia com implante é uma das cirurgias mais complexas da mama:

Por que É Mais Complexa

  • O implante aumenta a tensão interna (quer expandir)
  • A mastopexia reduz o envelope cutâneo (quer conter)
  • Forças opostas = risco maior de deiscência, cicatriz alargada, resultado imprevisível

Estratégias

  • Tempo único: mastopexia e implante na mesma cirurgia. Resultado em uma etapa, mas tecnicamente mais desafiador
  • Dois tempos: primeiro a mastopexia (ou primeiro a prótese), depois o complementar. Mais previsível, mas duas cirurgias

A abordagem em tempo único é mais comum quando o implante é moderado e a ptose não é extrema. A cirurgiã avalia qual estratégia é mais segura para cada caso.

Escolha do Implante na Mastopexia

  • Volumes moderados são mais seguros (menor tensão nos tecidos)
  • Perfil alto ou extra-alto: cria projeção sem exigir implante largo
  • Plano submuscular (dual plane): cobertura superior do implante

Como É a Cirurgia

  1. Marcação pré-operatória: com paciente em pé, marca-se nova posição do CAM, linhas de ressecção e padrão de cicatriz
  2. Anestesia geral
  3. Desepitelização: remove-se a pele na área marcada, mantendo o pedículo vascularizado
  4. Remodelagem: o parênquima mamário é reorganizado (plicatura, rotação de retalhos) para criar cone
  5. Inserção de prótese (se indicada): pela mesma incisão
  6. Reposição do CAM: o mamilo é transposto para a nova posição
  7. Fechamento: sutura em camadas
  8. Sutiã cirúrgico

Duração: 2-3 horas (isolada), 3-4 horas (com prótese).

Recuperação

A recuperação é similar à da mamoplastia de aumento, com atenção extra às cicatrizes:

  • Semana 1: sutiã cirúrgico 24h, repouso relativo, braços junto ao corpo
  • Semana 2: retorno a atividades leves, curativos nas incisões
  • Semana 3-4: amplitude de braços normalizada, cicatrizes ainda vermelhas
  • Mês 2-3: formato da mama estabilizando, exercícios liberados gradualmente
  • Mês 6-12: cicatrizes maturando (esbranquiçando), resultado definitivo

Cuidados com a cicatriz: micropore ou silicone em fita por 3-6 meses para otimizar a maturação cicatricial.

Resultados

O que a Mastopexia Corrige

  • Posição do mamilo: eleva para a projeção máxima da mama
  • Excesso de pele: remove o envelope sobrante
  • Formato: restaura o cone mamário com polo superior preenchido
  • Aréola: reduz se necessário (aréolas alargadas são corrigidas)

O que a Mastopexia NÃO Faz

  • Não aumenta volume significativamente (sem prótese)
  • Não é permanente contra a gravidade — a mama continuará respondendo a envelhecimento e gravidade ao longo dos anos
  • Não elimina estrias (estrias existentes permanecem na pele remanescente)

Durabilidade

O resultado é mais duradouro em pacientes com:
– Mamas de volume leve a moderado (menos peso = menos gravidade puxando)
– Boa qualidade de pele e tecido
– Peso estável
– Uso regular de sutiã com sustentação

Riscos Específicos da Mastopexia

  • Alargamento da cicatriz: especialmente na técnica periareolar (tensão circular)
  • Re-ptose: a mama pode cair novamente com o tempo, especialmente na mastopexia com prótese (o peso do implante acelera)
  • Alteração de sensibilidade do CAM: transitória na maioria dos casos (3-6 meses)
  • Assimetria: pequenas diferenças no nível dos mamilos ou no formato são possíveis
  • Necrose parcial do CAM: muito rara em não tabagistas
  • Cicatriz hipertrófica: predisposição individual

Perguntas Frequentes (FAQ)

A mastopexia sem prótese fica boa?

Sim, quando o volume é adequado. Se a queixa é exclusivamente queda da mama (ptose) sem perda de volume, a mastopexia isolada oferece resultado natural e harmonioso. A adição de prótese só é indicada quando há perda de volume associada.

Quanto tempo dura a mastopexia?

O resultado técnico é permanente (a pele removida não retorna). Porém, a gravidade, o envelhecimento, gestações e variações de peso continuam agindo. Em média, pacientes mantêm resultado satisfatório por 10-15 anos. Uso de sutiã adequado e peso estável prolongam a durabilidade.

A mastopexia prejudica a amamentação?

Geralmente não. A maioria das técnicas de mastopexia preserva os ductos lactíferos e a inervação do mamilo. O pedículo central oferece a melhor preservação funcional. É importante informar à cirurgiã sobre planos de gestação futura.

Posso fazer mastopexia e prótese ao mesmo tempo?

Sim. A mastopexia com prótese em tempo único é frequente e oferece resultado em uma única cirurgia. A técnica exige experiência do cirurgião para equilibrar as forças opostas. Em ptoses graves com desejo de grande aumento, dois tempos pode ser mais seguro.

A mastopexia é coberta por convênio?

A mastopexia isolada é considerada estética e não é coberta. Em casos excepcionais — ptose grave pós-bariátrica com sintomas funcionais documentados — pode haver solicitação via justificativa clínica. A cobertura não é garantida e depende da análise do convênio.


Dra. Danyelle Hott Torturella — CRM-RJ 0107096.7 | RQE 39427
Cirurgiã Plástica | Professora de Cirurgia Plástica — UERJ

Referências:
1. Regnault P. Breast ptosis: definition and treatment. Clin Plast Surg. 1976;3(2):193-203.
2. Swanson E. A retrospective photometric study of 82 patients with breast ptose. Plast Reconstr Surg. 2012;129(5):1023-1032.
3. Spear SL, Kassan M, Little JW. Guidelines in concentric mastopexy. Plast Reconstr Surg. 1990;85(6):961-966.

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Dra. Danyelle Hott — Cirurgiã Plástica Rio de Janeiro

Dra. Danyelle Hott

Cirurgiã Plástica

CRM-RJ 0107096.7 • RQE Nº 39427

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