Mastopexia (Lifting de Mama): Correção da Ptose Mamária
A mastopexia reposiciona a mama caída (ptose mamária) elevando o complexo areolomamilar (CAM) para uma posição mais alta e removendo o excesso de pele para restaurar a projeção e o formato cônico da mama. É a cirurgia indicada quando o volume mamário é adequado mas a posição está baixa — o mamilo aponta para baixo ou está abaixo do sulco inframamário. Quando há perda de volume associada, a mastopexia pode ser combinada com implante de silicone.
O que É Ptose Mamária
A ptose é a “queda” da mama. O grau é classificado pela posição do mamilo em relação ao sulco inframamário:
Classificação de Regnault
| Grau | Posição do Mamilo | Descrição |
|---|---|---|
| Pseudoptose | Acima do sulco | Polo inferior vazio, mamilo na posição normal |
| Grau I (leve) | No nível do sulco | Mamilo na linha do sulco |
| Grau II (moderada) | Abaixo do sulco | Mamilo abaixo do sulco mas acima do polo inferior |
| Grau III (grave) | Bem abaixo do sulco | Mamilo no ponto mais baixo da mama, aponta para o chão |
Causas da Ptose
- Gestação e amamentação: aumento de volume seguido de involução (esvaziamento). É a causa mais comum
- Emagrecimento significativo: perda de volume mamário com excesso de pele remanescente
- Envelhecimento: perda de elasticidade da pele e ligamentos de Cooper
- Genética: predisposição a tecido menos firme
- Gravidade: ação contínua ao longo dos anos
Indicações
Mastopexia Isolada (Sem Prótese)
- Ptose grau I a III com volume mamário satisfatório
- A paciente deseja elevação mas não aumento
- Mama “caída” após amamentação com volume ainda adequado
Mastopexia com Prótese
- Ptose + perda de volume (mama vazia e caída)
- Desejo de elevação E aumento
- Mama esvaziada pós-amamentação com ptose associada
- Assimetria de volume + ptose
Quando a Mastopexia Não É Suficiente
- Volume excessivo com ptose = mamoplastia redutora (que inclui elevação)
- Ptose mínima sem excesso de pele = a mamoplastia de aumento sozinha pode corrigir (o implante preenche e “levanta”)
Técnicas Cirúrgicas
Periareolar (Benelli)
- Cicatriz apenas ao redor da aréola
- Indicação: pseudoptose ou ptose grau I leve
- Remove o mínimo de pele
- Limitação: risco de alargamento da aréola com o tempo, pouca capacidade de elevação
Vertical (Lollipop)
- Cicatriz periareolar + vertical (do bordo inferior da aréola ao sulco)
- Indicação: ptose grau I a II
- Boa capacidade de remodelagem com cicatriz moderada
- Técnica preferida para ptoses moderadas
T Invertido (Wise / Âncora)
- Cicatriz periareolar + vertical + horizontal no sulco
- Indicação: ptose grau II a III
- Maior controle sobre o envelope cutâneo
- Cicatriz mais extensa, compensada pela capacidade de correção
Escolha da Técnica
A extensão da cicatriz é proporcional ao grau de ptose. Não é possível corrigir ptose grau III com técnica periareolar — forçar cicatrizes menores compromete o resultado. A cirurgiã determina a técnica pela avaliação presencial.
Mastopexia com Prótese: Detalhes
A associação de mastopexia com implante é uma das cirurgias mais complexas da mama:
Por que É Mais Complexa
- O implante aumenta a tensão interna (quer expandir)
- A mastopexia reduz o envelope cutâneo (quer conter)
- Forças opostas = risco maior de deiscência, cicatriz alargada, resultado imprevisível
Estratégias
- Tempo único: mastopexia e implante na mesma cirurgia. Resultado em uma etapa, mas tecnicamente mais desafiador
- Dois tempos: primeiro a mastopexia (ou primeiro a prótese), depois o complementar. Mais previsível, mas duas cirurgias
A abordagem em tempo único é mais comum quando o implante é moderado e a ptose não é extrema. A cirurgiã avalia qual estratégia é mais segura para cada caso.
Escolha do Implante na Mastopexia
- Volumes moderados são mais seguros (menor tensão nos tecidos)
- Perfil alto ou extra-alto: cria projeção sem exigir implante largo
- Plano submuscular (dual plane): cobertura superior do implante
Como É a Cirurgia
- Marcação pré-operatória: com paciente em pé, marca-se nova posição do CAM, linhas de ressecção e padrão de cicatriz
- Anestesia geral
- Desepitelização: remove-se a pele na área marcada, mantendo o pedículo vascularizado
- Remodelagem: o parênquima mamário é reorganizado (plicatura, rotação de retalhos) para criar cone
- Inserção de prótese (se indicada): pela mesma incisão
- Reposição do CAM: o mamilo é transposto para a nova posição
- Fechamento: sutura em camadas
- Sutiã cirúrgico
Duração: 2-3 horas (isolada), 3-4 horas (com prótese).
Recuperação
A recuperação é similar à da mamoplastia de aumento, com atenção extra às cicatrizes:
- Semana 1: sutiã cirúrgico 24h, repouso relativo, braços junto ao corpo
- Semana 2: retorno a atividades leves, curativos nas incisões
- Semana 3-4: amplitude de braços normalizada, cicatrizes ainda vermelhas
- Mês 2-3: formato da mama estabilizando, exercícios liberados gradualmente
- Mês 6-12: cicatrizes maturando (esbranquiçando), resultado definitivo
Cuidados com a cicatriz: micropore ou silicone em fita por 3-6 meses para otimizar a maturação cicatricial.
Resultados
O que a Mastopexia Corrige
- Posição do mamilo: eleva para a projeção máxima da mama
- Excesso de pele: remove o envelope sobrante
- Formato: restaura o cone mamário com polo superior preenchido
- Aréola: reduz se necessário (aréolas alargadas são corrigidas)
O que a Mastopexia NÃO Faz
- Não aumenta volume significativamente (sem prótese)
- Não é permanente contra a gravidade — a mama continuará respondendo a envelhecimento e gravidade ao longo dos anos
- Não elimina estrias (estrias existentes permanecem na pele remanescente)
Durabilidade
O resultado é mais duradouro em pacientes com:
– Mamas de volume leve a moderado (menos peso = menos gravidade puxando)
– Boa qualidade de pele e tecido
– Peso estável
– Uso regular de sutiã com sustentação
Riscos Específicos da Mastopexia
- Alargamento da cicatriz: especialmente na técnica periareolar (tensão circular)
- Re-ptose: a mama pode cair novamente com o tempo, especialmente na mastopexia com prótese (o peso do implante acelera)
- Alteração de sensibilidade do CAM: transitória na maioria dos casos (3-6 meses)
- Assimetria: pequenas diferenças no nível dos mamilos ou no formato são possíveis
- Necrose parcial do CAM: muito rara em não tabagistas
- Cicatriz hipertrófica: predisposição individual
Perguntas Frequentes (FAQ)
A mastopexia sem prótese fica boa?
Sim, quando o volume é adequado. Se a queixa é exclusivamente queda da mama (ptose) sem perda de volume, a mastopexia isolada oferece resultado natural e harmonioso. A adição de prótese só é indicada quando há perda de volume associada.
Quanto tempo dura a mastopexia?
O resultado técnico é permanente (a pele removida não retorna). Porém, a gravidade, o envelhecimento, gestações e variações de peso continuam agindo. Em média, pacientes mantêm resultado satisfatório por 10-15 anos. Uso de sutiã adequado e peso estável prolongam a durabilidade.
A mastopexia prejudica a amamentação?
Geralmente não. A maioria das técnicas de mastopexia preserva os ductos lactíferos e a inervação do mamilo. O pedículo central oferece a melhor preservação funcional. É importante informar à cirurgiã sobre planos de gestação futura.
Posso fazer mastopexia e prótese ao mesmo tempo?
Sim. A mastopexia com prótese em tempo único é frequente e oferece resultado em uma única cirurgia. A técnica exige experiência do cirurgião para equilibrar as forças opostas. Em ptoses graves com desejo de grande aumento, dois tempos pode ser mais seguro.
A mastopexia é coberta por convênio?
A mastopexia isolada é considerada estética e não é coberta. Em casos excepcionais — ptose grave pós-bariátrica com sintomas funcionais documentados — pode haver solicitação via justificativa clínica. A cobertura não é garantida e depende da análise do convênio.
Dra. Danyelle Hott Torturella — CRM-RJ 0107096.7 | RQE 39427
Cirurgiã Plástica | Professora de Cirurgia Plástica — UERJ
Referências:
1. Regnault P. Breast ptosis: definition and treatment. Clin Plast Surg. 1976;3(2):193-203.
2. Swanson E. A retrospective photometric study of 82 patients with breast ptose. Plast Reconstr Surg. 2012;129(5):1023-1032.
3. Spear SL, Kassan M, Little JW. Guidelines in concentric mastopexy. Plast Reconstr Surg. 1990;85(6):961-966.
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Tudo que você precisa saber antes de decidir pela cirurgia.
Escrito pelo Dr. Vitor Torturella (CRM-RJ 901849).
Leia também: Para visão panorâmica das opções, veja o guia completo sobre os tipos de cirurgia de mama.



