Mamoplastia de Aumento com Prótese de Silicone: Guia Atualizado
A mamoplastia de aumento é a inserção de implantes de silicone para aumentar o volume mamário e melhorar a projeção das mamas. É a cirurgia plástica mais realizada no Brasil (ISAPS, 2024). O resultado depende de quatro decisões técnicas tomadas na consulta: o tipo de implante, a via de acesso, o plano de colocação e o volume. Cada combinação é individualizada conforme a anatomia da paciente.
Indicações
Quem Se Beneficia
- Hipomastia: mamas pequenas em relação ao biótipo (desproporção tronco-mama)
- Assimetria volumétrica: diferença de tamanho entre as mamas (um implante diferente em cada lado pode ser indicado)
- Perda de volume pós-amamentação: mama “esvaziada” sem ptose significativa
- Agenesia ou hipoplasia: desenvolvimento mamário insuficiente
- Reconstrução: pós-mastectomia (oncológica)
Quando a Prótese Sozinha Não É Suficiente
Se além de volume falta projeção por queda da mama (ptose), a mastopexia com prótese é indicada. Colocar prótese em mama com ptose sem corrigir a queda resulta em mama grande e caída — o chamado “snoopy breast”.
Tipos de Implante
Formato
- Redondo: projeção distribuída uniformemente. Quando a paciente está em pé, a gravidade cria um contorno natural. Vantagem: rotação não altera o formato (não tem “orientação certa”)
- Anatômico (gota/cônico): projeção concentrada na porção inferior. Simula formato de mama natural com mais volume na base. Exige superfície aderente para evitar rotação
Perfil (Projeção)
O perfil define quanto a prótese “projeta para frente” para uma mesma largura de base:
| Perfil | Projeção | Indicação |
|---|---|---|
| Baixo | Mínima | Resultado muito discreto |
| Moderado | Moderada | Naturalidade com preenchimento |
| Alto | Significativa | Clivagem marcada, mama projetada |
| Extra-alto | Máxima | Base estreita com desejo de volume expressivo |
A base do implante deve corresponder à largura da base mamária da paciente — este é o principal limitador de volume seguro.
Superfície
- Texturizada: superfície rugosa que reduz mobilidade e risco de contratura capsular. Mais utilizada atualmente
- Poliuretano: revestimento de espuma que promove forte adesão tecidual. Menor taxa de contratura capsular e rotação. Remoção mais complexa se necessária
- Lisa: menor uso atual em cirurgia mamária estética
Conteúdo
Todas as próteses modernas contêm gel de silicone coesivo (“gummy bear”). O gel coesivo mantém a forma mesmo se o invólucro se romper — não “escorre” como os antigos géis líquidos. Quanto mais coesivo, mais firme o implante.
Vias de Acesso
Inframamária (Sulco)
- Incisão de 4-5cm no sulco sob a mama
- Via mais utilizada mundialmente
- Visão direta do plano cirúrgico
- Facilita posicionamento preciso do implante
- Cicatriz escondida pelo volume da mama
Periareolar
- Incisão na metade inferior da transição aréola-pele
- Cicatriz na transição de cor (discreta)
- Limitação: aréola pequena dificulta implantes grandes
- Pode interferir com ductos lactíferos centrais
Axilar
- Incisão na prega axilar
- Sem cicatriz na mama
- Requer endoscópio em alguns casos
- Plano mais utilizado: subglandular ou subfascial
Planos de Colocação
Subglandular
Implante entre a glândula mamária e o músculo peitoral.
– Vantagem: pós-operatório menos doloroso, resultado imediato
– Desvantagem: mais palpável e visível em pacientes magras; maior taxa de contratura capsular
Subfascial
Implante atrás da fáscia do músculo peitoral (mas na frente do músculo).
– Vantagem: cobertura adicional vs subglandular, menos dor que submuscular
– Desvantagem: cobertura limitada em pacientes muito magras
Submuscular (Dual Plane)
Implante parcialmente coberto pelo músculo peitoral (terço superior) e parcialmente pela glândula (terço inferior).
– Vantagem: melhor cobertura do polo superior, menor palpabilidade, menor contratura capsular
– Desvantagem: dor no pós-operatório inicial, animação muscular (implante move com contração do peitoral)
– Mais indicado para: pacientes magras com pouco tecido mamário
Como Se Decide
A espessura do tecido mamário (pinch test) é determinante:
– Pinch test > 2cm: subglandular ou subfascial possíveis
– Pinch test < 2cm: submuscular/dual plane preferível (evita visualização do contorno do implante)
Como É a Cirurgia
- Marcação pré-operatória: com paciente em pé, marca-se o sulco, a linha média, os limites da loja
- Anestesia: geral (mais comum) ou peridural + sedação
- Incisão: conforme via escolhida
- Criação da loja: dissecção no plano escolhido com dimensão precisa para o implante
- Hemostasia meticulosa: sangramento na loja = risco de hematoma
- Inserção do implante: com auxílio de funil (Keller funnel) — reduz contaminação e facilita passagem
- Avaliação de simetria: com paciente sentada na mesa cirúrgica
- Fechamento em camadas: sutura por planos para menor tensão na cicatriz
- Sutiã cirúrgico/faixa: colocado imediatamente
Duração: 1-2 horas.
Recuperação
A recuperação completa é detalhada em artigo próprio. Resumo da mamoplastia de aumento:
- Dia 1-3: dor moderada (maior no plano submuscular), restrição de movimentos dos braços acima da cabeça
- Semana 1: sutiã cirúrgico 24h, dor diminuindo, equimoses possíveis
- Semana 2-3: retorno a atividades leves, braços com amplitude progressiva
- Mês 1: prótese alta (“implante subindo”) — posição ainda não definitiva
- Mês 2-3: implante “assentando” na posição final, formato melhorando
- Mês 3-6: resultado próximo do definitivo
Faixa torácica (breast band): usada por 1-4 semanas no polo superior para ajudar o implante a descer.
Resultados
- O resultado imediato não é o definitivo — o implante demora 2-3 meses para assentar
- Próteses começam mais altas e descem gradualmente (especialmente no plano submuscular)
- O volume final é perceptível desde o primeiro dia, mas o formato melhora ao longo dos meses
- O resultado é permanente (sujeito a envelhecimento natural)
- Mamografia continua possível (técnica de Eklund para deslocamento do implante)
Riscos
- Contratura capsular: o corpo forma uma cápsula ao redor do implante — se essa cápsula se contrai excessivamente, a mama endurece. Classificação de Baker: grau I (normal) a IV (deformidade + dor). Incidência: 5-10% em 10 anos
- Ruptura do implante: rara com implantes modernos. Gel coesivo não “escorre”. Diagnóstico por ultrassom/ressonância
- Rotação: específica de implantes anatômicos. Necessita revisão cirúrgica
- Seroma: acúmulo de líquido. Raro, pode necessitar punção
- Infecção periprotética: rara. Pode necessitar retirada temporária do implante
- Rippling: ondulações visíveis no contorno, mais comum em magras com implante subglandular texturizado
- Assimetria: pequenas diferenças são normais e frequentes (mamas naturais já são assimétricas)
Perguntas Frequentes (FAQ)
Quanto tempo dura a prótese de silicone?
Não há prazo de validade. Implantes modernos de gel coesivo são projetados para durar décadas. A troca é indicada por complicação (contratura, ruptura) ou desejo de mudança, não por prazo. Acompanhamento com ultrassom mamário anual permite monitorar.
A prótese atrapalha a mamografia?
Não impede. O radiologista utiliza a manobra de Eklund para deslocar o implante e comprimir o tecido mamário adequadamente. É importante informar sobre a prótese ao agendar o exame.
Posso amamentar com prótese?
Sim. A maioria das pacientes mantém a capacidade de amamentação. A via inframamária e a axilar preservam completamente os ductos. A periareolar pode seccionar ductos centrais, mas raramente impede a amamentação.
Qual o tamanho ideal de prótese?
Não existe tamanho universal. O volume ideal depende da largura da base mamária, espessura do tecido, biótipo e desejo da paciente. Na consulta, são feitas provas com sizers para visualização. O cirurgião orienta o limite seguro para a anatomia individual.
A prótese fica natural?
Com indicação correta, planejamento adequado e técnica refinada, o resultado é natural ao toque e à aparência. O plano de colocação e o perfil do implante são os principais determinantes da naturalidade. Implantes muito grandes para a base mamária comprometem a naturalidade.
Dra. Danyelle Hott Torturella — CRM-RJ 0107096.7 | RQE 39427
Cirurgiã Plástica | Professora de Cirurgia Plástica — UERJ
Referências:
1. Hidalgo DA, Spector JA. Breast augmentation. Plast Reconstr Surg. 2014;133(4):567e-583e.
2. Adams WP Jr. The process of breast augmentation: four sequential steps for optimizing outcomes for patients. Plast Reconstr Surg. 2008;122(6):1892-1900.
3. Tebbetts JB, Adams WP. Five critical decisions in breast augmentation using five measurements in 5 minutes: the high five decision support process. Plast Reconstr Surg. 2005;116(7):2005-2016.
Guia Gratuito
Guia Completo: Cirurgia de Catarata
Tudo que você precisa saber antes de decidir pela cirurgia.
Escrito pelo Dr. Vitor Torturella (CRM-RJ 901849).


