Se você ainda está na fase de entender a técnica base, leia primeiro o guia completo de cirurgia refrativa a laser, que explica o caminho antes da comparação entre LASIK, PRK e Trans PRK.
LASIK, PRK e Trans PRK são as três técnicas de cirurgia a laser nos olhos mais usadas para corrigir miopia, hipermetropia e astigmatismo. As três chegam no mesmo resultado final — você enxergar bem sem óculos. A diferença está no caminho: como o laser acessa a córnea, quanto tempo leva para recuperar e para quem cada uma é mais indicada. Neste artigo, explicamos cada técnica de um jeito simples para você conversar com seu oftalmologista sabendo exatamente o que perguntar.
Dr. Vitor Torturella — Especialista em Cirurgia Refrativa a Laser | CRM-RJ 901849 | RQE 31033
A diferença em uma frase
Imagine que a córnea do seu olho é como a casca de uma fruta. O laser precisa remodelar o “miolo” dessa casca. A diferença entre as técnicas é como o cirurgião chega até esse miolo:
- LASIK: Levanta uma “tampinha” na superfície, aplica o laser por baixo e recoloca a tampinha. Rápido e quase sem dor.
- PRK: Remove a camada de cima da córnea (que se regenera sozinha em poucos dias) e aplica o laser direto. Sem tampinha, mais seguro para córneas finas. Recuperação mais lenta.
- Trans PRK: O próprio laser remove a camada de cima e faz a correção num passo só — o cirurgião não encosta na córnea. É a PRK “evoluída”.
Como funciona o LASIK?
O LASIK é a técnica de cirurgia refrativa mais realizada no mundo. O procedimento tem duas etapas rápidas:
- Criação do flap (a “tampinha”): Um laser especial (femtossegundo) recorta uma lamela finíssima na superfície da córnea — mais fina que um fio de cabelo. Essa lamela é levantada.
- Correção com o excimer laser: O segundo laser remodela o tecido por baixo da tampinha, corrigindo o grau. Em seguida, a tampinha é recolocada no lugar e gruda sozinha, sem ponto.
Tudo dura menos de 15 minutos (os dois olhos). A visão já começa a clarear em poucas horas e, no dia seguinte, a maioria das pessoas enxerga bem o suficiente para dirigir.
Como funciona a PRK?
A PRK foi a primeira cirurgia refrativa a laser da história, aprovada em 1995. É mais simples — não tem tampinha:
- Remoção do epitélio: A camada mais superficial da córnea (o epitélio) é removida delicadamente. Pense nela como a “película protetora” — ela se regenera sozinha em 3 a 5 dias.
- Correção com laser: O excimer laser é aplicado direto na superfície exposta.
- Curativo: Uma lente de contato terapêutica é colocada sobre o olho para proteger enquanto o epitélio cresce de volta.
Sem tampinha, a córnea fica mais forte estruturalmente — por isso a PRK é a primeira escolha para quem tem córnea fina, pratica esporte de contato (jiu-jitsu, boxe, futebol) ou trabalha em profissões com risco de pancada no rosto (militares, policiais).
O porém: a recuperação leva mais tempo. Nos primeiros 2 a 3 dias o olho arde, lacrimeja e a visão fica embaçada. Depois vai clareando a cada dia.
Como funciona a Trans PRK?
A Trans PRK é a versão moderna da PRK. A grande diferença: o laser faz tudo sozinho — remove o epitélio e corrige o grau num passo único, sem o cirurgião tocar na córnea. Por isso é chamada de “no-touch” (sem toque).
Na prática, isso significa:
- Menos chance de infecção — nenhum instrumento encosta no olho.
- Remoção da camada superficial mais uniforme — o laser é mais preciso que a mão.
- Procedimento mais rápido.
- Recuperação e resultado final iguais à PRK convencional.
Comparação direta: LASIK vs PRK
Vamos ao que interessa — o que cada uma tem de melhor e de pior:
Recuperação: LASIK ganha de lavada — visão boa em horas. PRK leva dias.
Desconforto depois da cirurgia: LASIK quase nenhum. PRK incomoda nos primeiros 2 a 3 dias.
Segurança da córnea: PRK ganha — sem tampinha, a córnea fica mais forte. Não tem risco de deslocar flap.
Olho seco depois: PRK tende a causar menos olho seco a longo prazo, porque não corta os nervos da córnea que o flap do LASIK corta.
Resultado visual final: Empate. Depois de 3 a 6 meses, as duas técnicas entregam a mesma qualidade de visão (Shortt AJ et al., Cochrane Database of Systematic Reviews, 2013).
Na prática, a escolha depende dos seus exames. Seu oftalmologista vai indicar a técnica que faz mais sentido para a sua córnea, o seu grau e o seu estilo de vida. O guia completo de cirurgia refrativa explica todos os critérios.
Quando o LASIK é a melhor escolha?
- Você precisa voltar ao normal rápido — trabalho, compromissos, viagem.
- Sua córnea tem espessura normal ou grossa.
- Você não pratica esporte de contato com frequência.
- Você prefere o máximo de conforto no pós-operatório.
Quando a PRK ou Trans PRK é a melhor escolha?
- Sua córnea é mais fina que o ideal para LASIK.
- A topografia mostra algum sinal que pede cautela — sem tampinha é mais seguro.
- Você pratica luta, esporte de contato ou trabalha em profissão com risco de pancada no rosto.
- Você já fez LASIK antes e precisa de um retoque, mas a córnea ficou fina.
- Você já tem olho seco moderado — PRK tende a agravar menos.
Perguntas frequentes
A PRK é mais segura que o LASIK?
As duas são muito seguras quando bem indicadas. A PRK elimina os riscos da tampinha (deslocamento, dobras) e preserva mais a estrutura da córnea. O LASIK elimina o desconforto dos primeiros dias. A segurança máxima vem da escolha certa do candidato, não da técnica sozinha.
Trans PRK é melhor que a PRK normal?
A Trans PRK tem vantagens técnicas — remoção mais uniforme da camada superficial e zero contato manual. Mas o resultado visual final é o mesmo. A escolha depende do equipamento disponível e da preferência do cirurgião.
Posso escolher qual técnica eu quero?
Você pode dizer sua preferência, e o médico leva isso em conta. Mas a decisão final é baseada nos seus exames. Em muitos casos mais de uma técnica serve, e a decisão é tomada em conjunto.
E o SMILE? Onde entra nessa comparação?
O SMILE é uma alternativa ao LASIK que não usa tampinha — o laser recorta e remove um pedacinho de tecido de dentro da córnea por um cortezinho mínimo. Preserva mais a estrutura da córnea que o LASIK e causa menos olho seco. Veja a comparação SMILE vs LASIK.
Conteúdo revisado pelo Dr. Vitor Torturella — Oftalmologista, CRM-RJ 901849. Especialista em cirurgia refrativa a laser, córnea e catarata. Membro da Sociedade Brasileira de Oftalmologia (SBO). Última atualização: fevereiro de 2026.
Referências: Kanski, Clinical Ophthalmology, 9ª ed.; Yanoff & Duker, Ophthalmology, 5ª ed.; Shortt AJ et al., Cochrane Database Syst Rev, 2013; Reinstein DZ et al., J Refract Surg, 2015; Sociedade Brasileira de Oftalmologia.
Este conteúdo é de caráter informativo e educativo. Não substitui avaliação, diagnóstico ou tratamento médico individualizado. Consulte sempre um oftalmologista para orientações específicas ao seu caso.
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Escrito pelo Dr. Vitor Torturella (CRM-RJ 901849).




